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Comentário — Importância da atribuição do Nobel da Paz ao Ican

O Prêmio Nobel da Paz deste ano será entregue, em cerimônia a se realizar domingo em Oslo, a capital da Noruega, aos representantes da Campanha pela Eliminação das Armas Nucleares (Ican). O grupo foi reconhecido pelo papel desempenhado na promoção do Tratado das Nações Unidas sobre a Proibição de Armas Nucleares, que foi aprovado em julho por mais de 60% dos países membros da ONU. Opõem-se, porém, à convenção países em posse de armas nucleares ou nações protegidas por guarda-chuva nuclear, como o Japão. Neste Comentário, fala sobre a importância da atribuição da distinção Akira Kawasaki, integrante do comitê internacional do Ican.

“Trata-se de uma grande honraria e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Significa que temos de trabalhar mais intensamente, com maior ênfase, para atingir a meta de eliminação dos armamentos.

Quando iniciamos a campanha por um tratado de proibição de armas nucleares, muitos dos chamados realistas disseram ser impossível concluir em tempo hábil uma convenção semelhante. No entanto, conseguimos.

Antes do tratado, as armas nucleares eram tidas como símbolo de poder.

Agora, porém, a posse de armas nucleares se tornou ilegal. Assim, grandes pressões políticas, econômicas e sociais serão exercidas sobre possuidores dos armamentos ou sobre quem se baseia em armas nucleares para tomar medidas de segurança nacional, como as autoridades do Japão.

É verdade que não se pode antever atualmente a participação no tratado de países em posse dos armamentos. Contudo, diante de uma pressão tão forte e normativa, provavelmente essas nações não poderão viver por muito tempo em posse de armas nucleares.

Segundo repetidas declarações do governo japonês feitas em público, em cerimônias em memória das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, o Japão é um país que defende a existência de um mundo sem armas nucleares. O governo japonês chega a dizer que assume uma posição de liderança neste empenho. Na realidade, contudo, o Japão não participou sequer das discussões para a conclusão do tratado.

Convém, assim, que a cerimônia do Nobel da Paz se torne um ponto de partida para que o público do Japão reveja e reconsidere a posição do país em relação às armas nucleares.

Se o Japão alegar que a existência dos armamentos na Coreia do Norte justifica a necessidade de proteção do território japonês por intermédio das armas nucleares dos Estados Unidos e se for aceitável esta lógica, então muitas outras nações passarão também a usar argumento idêntico. Estaremos eventualmente, então, em um mundo repleto destes armamentos. Um mundo seguro? A resposta é muito clara.

Existe, sim, a ameaça nuclear da Coreia do Norte, mas trata-se da própria razão pela qual precisamos trabalhar pela total proibição e total eliminação destes armamentos.

Podemos mudar o mundo ao fazer este tratado por meio dos esforços da sociedade civil em parceria com vários governos e organismos, como a Cruz Vermelha Internacional e o Crescente Vermelho. Se esses armamentos tão cruéis existem, se você se levanta e age, você pode mudar a situação. A prova são os esforços realizados pela Campanha pela Eliminação das Armas Nucleares, agora reconhecidos pela Comissão do Nobel.”
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